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Trazendo de volta a Web Independente

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Faz algum tempo que eu gostaria de ter um blog hospedado aqui. Sempre me faltou ideia do que escrever ou priorização de tempo para escrever. Passei bastante tempo rodando um WordPress aqui, mas diversas questões (inclusive segurança de meus colegas), decidi migrar para um gerador de site estático [1], atualmente o Hugo.

Tenho experimentado SSGs desde 2020, quando tivemos que migrar nossos cursos para a modalidade remota. Notei que a forma mais simples de hospedar o conteúdo do meu curso de Álgebra Linear seria utilizando o Sphinx apara cuidar de toda a parte chata do HTML e me permitir concentrar no conteúdo. Assim, criei o hábito de gerar páginas de todas as disciplinas que leciono aqui na ECT.

Em algum momento decidi me livrar do WordPress e usar um SSG para a página principal. Optei por algum tempo pelo Nikola simplesmente por ser em Python, mas os temas não me agradaram muito. Então, neste mês a Live de Python completou 8 anos e o Dunossauro fez uma live para comemorar, em modo full pistola Velho Testamento com o tema Estou cansado da internet.

Trata-se da questão dos "Jardins murados" da web e de como estamos limitados às grandes empresas cujo modelo de negócios é vender seus dados para quem quer lhe mostrar anúncios. Foi-se o tempo daquela web que era de fato uma teia de de locais independentes interconectados. Agora estamos todos nas presas das FAANG: se você quer alguma informação, simplesmente digita o que quer na barra de endereços do seu navegador e ele pergunta pro Google. Você quer se informar sobre eventos de uma organização, banda ou até universidade pública, as informações estão todas no Instagram. Quer obter ajuda com um software livre, basta entrar no Discord. Isso sem falar do povo que abre o TikTok para procurar efeito colateral de remédio.

Não temos mais a cultura de termos o nosso cantinho da internet, ou mesmo de esperar que uma empresa ou organização tenha um website. As pessoas já buscam direto no Instagram, no YouTube, no TikTok. E como os usuários/clientes/público pensa assim, as organizações só postam no Instagram, no TikTok ou o que o valha. Afinal, é tão conveniente: basta ter um app no celular. Não precisa manjar dos flearows via blambers para configurar um servidor HTTP, domínio, configurar DNS, popular o servidor, seja com site estático (precisa aprender HTML? Cadê meu CD do DreamWeaver?), seja com WordPress da vida (tem que instalar banco de dados, né? o MySQL virou MariaDB ou são coisas incompatíveis?). Essa conveniência tem um custo. Aliás, um custo não, uma externalidade: a privacidade e a liberdade dos usuários/clientes.

É aí que entra a ideia de reconquistar a independência na Web. Vamos parar de postar threads no Twitter, no BlueSky, no... Threads(‽), no Mastodon. Em vez disso, vamos criar um blog. Uma página que recebe nossos posts e que podemos compartilhar com quem a gente quiser, já que não precisa de login, não precisa dar email, não precisa instar app no celular. Ah, mas aí ninguém vai ver, né? Tem que digitar o endereço toda vez? Como fica o alcance?. Existe RSS, mas até eu entendo que exigir que o público geral use RSS é utopia. Você pode continuar alcançando seu público, em todas as redes em que você tiver presença, basta Publicar uma vez e compartilhar em todo lugar (POSSE: Post to your Own Site, Syndicate Everywhere): compartilhe um resumo e um link para o post nas suas mídias. Se isso não fosse contra os objetivos do Sr. Zuckerberg, ele não proibiria links no instagram, né?

Nesse caminho de reconquistar a independência na web, eu administro a Bertha.social, uma instância do Mastodon voltada para cientistas, divulgadores científicos e o público acadêmico/universitário. Fique à vontade para se inscrever lá e conseguir acesso a todo o Fediverso descentralizado!

Então tá aí. O primeiro post. A inércia foi rompida. Já tenho uma lista de ideias sobre o que postar. E É óbvio que além das nerdices transversais, haverá conteúdo científico e/ou epistemológico por aqui. Os alunos leem isso, afinal (espero).

Notas

[1]Geradores de sites estáticos (Static site generators ou SSG) são programas que geram páginas HTML estáticas a partir de um conjunto de arquivos-fonte e arquivos de configuiração, em oposição a sites dinâmicos, como os baseados no WordPress, em que cada página é gerada após a requisição do cliente. Sites estáticos carregam mais rápido, ocupam menos espaço no servidor e são menos sujeitos a riscos de segurança, já que não se executa código no servidor.